February 10, 2011

one for the creases on my sheets

tem coisas que não andam, não desdobram, não aparecem e não dissolvem: vão engatinhando, cada centímetro uma batalha contra a gravidade e a pressa e todas as loucuras que a gente engole sem nem piscar. avançam e avançam e avançam tão de leve que você não tem a menor possibilidade de perceber a invasão até que você já não esteja mais enxergando absolutamente nada-- mas o que é o nada se não o interior da nossa própria cabeça?

fechar os olhos é a única maneira de enxergar o nosso próprio interior, e ele é tão preto quanto as intenções que ele usa como gasolina.

de repente as pálpebras pesam e você não pode mais fugir, cada veia e cada nervo cedendo e cedendo até não restar um pingo de auto-controle (auto controle? auto controle? auto controle?) e você começa a cair. talvez se eu correr mais um pouco dê tempo de estender os braços e estancar o corpo em queda-

eu nunca gostei, mesmo, de ver meus medos nos olhos dos outros.